sábado, 4 de fevereiro de 2012

Detalhe

Poucas palavras.
Venha, benvindo, voe
Som. Sonhe, seja
Silêncio, só. E somente
Sinta.

domingo, 29 de janeiro de 2012



Mergulhe e abra os braços
Como se estivesse a voar







Não há voo mais pleno, mais profundo.
Mergulho.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Amanheceu solidão


Leve como uma pluma
Breve como uma cena
O canto beija a sereia
E passeia. E me condena.

Assim os gemidos choram
Os olhos se apagam, os corpos se apertam
Escuridão. O sonho nostálgico do momento
Em que se deram as mãos

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ossentir

Um pássaro sobrevoa este momento.

Enquanto isso se equilibra
numa tênue linha, ao vento.

Quase se deixa cair, quase se entrega ao mar
Quase anoitece, quase canta
A quem não quer abandonar

Da tempestade, foge veloz
Ave ingênua, assim como nós
Descobre, na busca pela Paz,
Que voando não se chega ao cais

Ó tênue linha,
Tu és firme, insensível ao peso...
Mas somente em ti sou capaz de criar
A beleza do pássaro indefeso

sexta-feira, 5 de março de 2010

Itinerante

Vejo a vida em um segundo
O fluxo arde em um piscar
Ando correndo pelo mundo
Itinerante, como sonhar?


Vejo o tempo a rir, oportuno
Impulsiono minhas pernas ao ar
Ando saltando, ando caindo
Itinerante, como parar?


Vejo o céu descolorir ilusões
A falsa nuvem se dissipar
Ando com medo, ando fugindo
Itinerante, como gritar?


Vejo faíscas sumirem no escuro
Não há mais o que enxergar
Ando longe, ando sem rumo
Itinerante, como voltar?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nada (Morte)

Quando o peito se abre
Quando a transparência deixa tudo passar
Não há mais nada
A ser impedido, nem nada a duvidar

Quando os olhos abraçam o mundo
Sem medo, mas sem entender
O corpo se entrega e não há mais nada
A ganhar ou a perder
Quando o coração se arrisca e grita
Sem nenhuma proteção
Não há mais nada a ser curado
E as feridas abrem um vão
Quando a alma se deixa viver, enfim
Sem disfarce ou hora marcada
O mundo se mostra um precipício,
E te empurram
para onde não houver mais nada.