domingo, 26 de maio de 2013

Depois de Pernambuco

Quero viver pelo sorriso inexplicável da nordestina
que se orgulha do menino e da menina
que diz "a vida é isso... é luta constante"
e que sorri mais uma vez, e outra vez acrescenta
Amor
ao meu ser já amante

Quero viver pelo sotaque mole oferecendo
"é de bom coração"... por aquele sorriso sereno
comentando como hoje foi baixo o movimento
e pelas pegadas formando na areia um caminho
debaixo de Sol e de Lua, contra o vento.

Quero viver pelo coração que toca
tom de alfaia, bum de surdo. Que bate sempre
mas só toca em roda
coração de ciranda, virada de mundo

Nessa roda minh'alma se com-partilha
dentro dos seres e da gente, que levam e deixam saudade
mas pedacinhos não ficam perdidos, e nem
a alma fica metade
eles dançam quando se encontram
sua soma é liberdade

Quero viver
Quero viver porque podemos ser.
Mais que gente distante, mais que frações de classe
Juntos, podemos ser
Humanidade

quinta-feira, 4 de abril de 2013

sine imperium

Não idealize.
Não julgue,
Não permita
Qualquer tipo de proibição
Qualquer sonho em reprodução
aniquile, e prossiga.

Não reforme,
Não repare.
Destrua!
Flagele, derrame o sangue podre
Toda estupidez
desconstrua.

Porém, não convalesça
Nem se obrigue.
Adoeça.
Mas resista e se contradiga até a cura
E mais nenhuma ordem
reconheça.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cinzas

No contexto, o carnaval
Um pretexto, a novidade
De novo, de velho, dilacero
Meu peito, eu dilacero, dilacero...

Sem dó, hasta el pozo
Dilacerando, morrendo, gritando
Sangrando, rasgando
Escorre em meu rosto

O pretexto, a novidade
A velha, a cega, a coisa
que eu quero que morra
Sem saber, sem sofrer
Apenas vá para longe daqui....

Pra longe do meu peito.

Adeus, provocação
Sem mais nenhuma alternativa
Sem Guerra
Dilaceremo-nos
Juntas
Ligadas pela condição
de mulher.

Expulsemo-nos da guerra.
Vomitemos
na cara dele. Escorra.

Agora morra.
Em paz.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Detalhe

Poucas palavras.
Venha, benvindo, voe
Som. Sonhe, seja
Silêncio, só. E somente
Sinta.

domingo, 29 de janeiro de 2012



Mergulhe e abra os braços
Como se estivesse a voar







Não há voo mais pleno, mais profundo.
Mergulho.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Amanheceu solidão


Leve como uma pluma
Breve como uma cena
O canto beija a sereia
E passeia. E me condena.

Assim os gemidos choram
Os olhos se apagam, os corpos se apertam
Escuridão. O sonho nostálgico do momento
Em que se deram as mãos

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ossentir

Um pássaro sobrevoa este momento.

Enquanto isso se equilibra
numa tênue linha, ao vento.

Quase se deixa cair, quase se entrega ao mar
Quase anoitece, quase canta
A quem não quer abandonar

Da tempestade, foge veloz
Ave ingênua, assim como nós
Descobre, na busca pela Paz,
Que voando não se chega ao cais

Ó tênue linha,
Tu és firme, insensível ao peso...
Mas somente em ti sou capaz de criar
A beleza do pássaro indefeso

sexta-feira, 5 de março de 2010

Itinerante

Vejo a vida em um segundo
O fluxo arde em um piscar
Ando correndo pelo mundo
Itinerante, como sonhar?


Vejo o tempo a rir, oportuno
Impulsiono minhas pernas ao ar
Ando saltando, ando caindo
Itinerante, como parar?


Vejo o céu descolorir ilusões
A falsa nuvem se dissipar
Ando com medo, ando fugindo
Itinerante, como gritar?


Vejo faíscas sumirem no escuro
Não há mais o que enxergar
Ando longe, ando sem rumo
Itinerante, como voltar?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nada (Morte)

Quando o peito se abre
Quando a transparência deixa tudo passar
Não há mais nada
A ser impedido, nem nada a duvidar

Quando os olhos abraçam o mundo
Sem medo, mas sem entender
O corpo se entrega e não há mais nada
A ganhar ou a perder
Quando o coração se arrisca e grita
Sem nenhuma proteção
Não há mais nada a ser curado
E as feridas abrem um vão
Quando a alma se deixa viver, enfim
Sem disfarce ou hora marcada
O mundo se mostra um precipício,
E te empurram
para onde não houver mais nada.